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Estações ferroviárias foram desativadas após o leilão de privatização

Degradação das estações retrata abandono das ferrovias paulistas

As áreas pertencentes às empresas privadas que adquiriram as ferrovias ficaram degradadas

Junqueirópolis, assim como  a maioria dos municípios paulistas por onde passavam  as ferrovias, sentem até hoje  no paisagismo urbano, os reflexos do abandono das estações , armazéns, trilhos entorno pertencentes  às empresas que adquiriram as ferrovias  do Estado de São Paulo, em leilão no ano de 1998.

Nesses mais de 20 anos, a malha ferroviária paulista entrou em decadência com o abandono das linhas férreas. O quadro que se vê em  Junqueirópolis é o mesmo nos  demais municípios paulistas, alguns em situações piores.

Por serem propriedades privadas o poder público não tem  como agir, executando melhorias.  A maioria das estações ferroviárias eram localizadas em pontos das cidades que foram se urbanizando ao redor pelo desenvolvimento que representava o transporte ferroviário.

Atualmente com o abandono, o que era motivo de orgulho para as cidades com o fluxo de trens de passageiros e transportes, as estações ferroviárias tornaram-se uma melancólica lembrança de sistema que poderia ter evoluído como ocorre na maioria dos países e gerar  mais progresso ao interior paulista.

Abaixo  a transcrição de uma reportagem do Jornal Folha de São Paulo do dia 10 de Novembro  de 1998, que explica como encontrava a situação das ferrovias naquela época, o que levou à privatização.

São Paulo, terça, 10 de novembro de 1998

 

 

PRIVATIZAÇÃO
Empresa que sucedeu a Fepasa e foi assumida pelo governo federal encontra-se em franca decadência
Malha ferroviária paulista vai hoje a leilão

BERNARDINO FURTADO 
da Reportagem Local

Uma empresa em franca decadência. Essa é a Malha Paulista, sucessora da antiga Fepasa (Ferrovia Paulista S/A), cujo leilão está marcado para hoje, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ).
Três consórcios privados se habilitaram a assumir a operação de seus 4.183 km de linhas, que cobrem São Paulo e parte do Triângulo Mineiro. O preço mínimo é R$ 233,37 milhões.
O transporte de carga, único serviço de expressão econômica da antiga Fepasa, vem decaindo continuamente desde 94. Em 97, a produção da empresa foi 28% menor que a de 93. A situação não deve mudar neste ano.
Expressa por uma unidade de nome complicado (tonelada x quilômetro útil), que representa a quantidade de carga multiplicada pela extensão em que é transportada, a produção foi em 1980 cerca de 50% maior do que a atual.
A baixa capacidade de investimento, resultado de um quadro de déficit crônico entre receitas e despesas, explica a maior parte da decadência. Em 97, a empresa teve um prejuízo de R$ 1,4 bilhão.
Como preparação para a privatização, 10.206 empregados foram demitidos de 95 para cá. Antes de repassar a Fepasa para o governo federal, no bojo da negociação da dívida do Estado com o Banespa, o governo estadual transferiu para a Secretaria de Estado de Fazenda o pagamento de 50 mil aposentados e pensionistas da ferrovia.
Resta aos futuros donos reverter o quadro de sucateamento dos equipamentos da Malha Paulista. A frota de locomotivas, que traduz a capacidade de produção de uma ferrovia, está em pandarecos. Do total de 408 máquinas, 189 (46,3%) estão fora de operação por avarias de diferentes graus.
A empresa de consultoria Booz Allen & Hamilton, contratada em 95 para fazer a avaliação da então Fepasa com vistas à concessão para o setor privado, estimou que serão necessários, para recuperar a frota de locomotivas, investimentos no valor de R$ 241,4 milhões num período de 20 anos.
Dos grupos que se candidataram ao leilão, dois são formados por empresas que venceram os leilões de venda de sistemas ferroviários que se interligam com a Malha Paulista. Um é formado pelos donos da Ferropasa, que atua no Oeste e Centro-Oeste. Entre eles, a Ferronorte, com capital da Companhia Vale do Rio Doce, com participação dos fundos de pensão Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica Federal).
Outro é formado pelos donos da Ferrovia Centro-Atlântica (Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste) -entre os quais a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional- e da Ferrovia Sul Atlântico (Sul do país). Mas o superintendente de Infra-Estrutura e Energia da CSN, José Paulo Alves, afirmou que a Ferrovia Centro Atlântica entraria no consórcio Ferropasa.
O terceiro consórcio, o Ferrovia Inteligente, é composto pela FAO Empreendimentos, Banco Ourinvest, Construcap e Tejofran.
Quem pode desequilibrar a disputa é o grupo francês Alstom, fabricante de locomotivas, que está negociando sua participação em algum dos grupos.
As regras do leilão 
O vencedor do leilão terá que pagar à vista 20% do preço ofertado. O restante, passados dois anos de carência, poderá ser pago em 112 parcelas trimestrais, totalizando os 30 anos de concessão.
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, disse na última sexta-feira, que não vê riscos de fracasso do leilão da Malha Paulista. “É a parte mais estratégica do sistema ferroviário brasileiro”, disse Padilha, que não descartou a hipótese de o ágio passar de 100%.
Na última sexta-feira, o Sindicato da Mogiana conseguiu uma liminar na última sexta-feira na Justiça Federal do Rio cancelando o leilão. Porém, no início da noite de ontem, o presidente interino do TRF (Tribunal Regional Federal), desembargador Alberto Nogueira, acatou recurso do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e suspendeu a liminar.

Colaborou Toni Sciarretta, da Sucursal do Rio

 

As empresas que adquiriram a malha ferroviária paulista deixaram de investir e finalizaram com o transporte de passageiros e cargas
Situação dos trilhos com o fim do transporte ferroviário

 

 

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Sobre Gilmar Pinato

Jornalismo-Faculdade de Comunicação Social Helio Alonso- Rio de Janeiro (RJ), 1986- MTb 24.051 -Estágio Jornal O Estado de São Paulo (S.P. ag/dez.88). -Assessor de Imprensa Oficina Cultural Timochenco Wehbi (P.Pte-SP) -Repórter Jornal O Imparcial (P. Pte). -Produtor TV Fronteira- (P. Pte) -Repórter Jornal O Liberal, Araçatuba (SP), -Assessor de Imprensa Parlamentar- Assembleia Legislativa (Alesp). -Repórter Jornal Regional- Dracena (SP).

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